Sabe aquele valor que aparece em contratos de empréstimos, nas faturas do cartão ou até na hora de contratar um seguro? Muitas vezes, ele vem acompanhado de três letrinhas que geram dúvida: IOF.
O Imposto sobre Operações Financeiras está presente em várias transações do dia a dia e, mesmo assim, ainda passa despercebido por muita gente. Entender como ele funciona pode ajudar a planejar melhor as suas finanças e evitar surpresas na hora de fazer uma contratação ou uma compra internacional.
Neste conteúdo, você vai descobrir o que é o IOF, por que ele existe e de que forma ele influencia o valor final das suas operações financeiras.

O que é o IOF e por que ele existe?
O IOF é a sigla para Imposto sobre Operações Financeiras, um tributo federal que incide sobre diferentes tipos de movimentações financeiras. Ele foi criado com dois principais objetivos:
– Ajustar e monitorar o mercado financeiro, controlando o fluxo de crédito e de câmbio.
– Gerar receita para o governo federal, como acontece com outros impostos.
Na prática, o IOF funciona como uma espécie de ferramenta de controle da economia. Ele ajuda o governo a acompanhar de perto como o dinheiro está circulando no país: se as pessoas estão pegando mais empréstimos, enviando mais dinheiro para o exterior ou movimentando muito capital em investimentos de curto prazo, por exemplo.
Exemplo: imagine que a economia brasileira seja como um grande reservatório de água. O governo precisa controlar o fluxo dessa água para que não falte em algumas partes e não transborde em outras. O IOF é uma das torneirinhas que o governo pode abrir ou fechar para controlar esse fluxo.
- Se a população começa a tomar muito crédito de uma vez, por exemplo, o governo pode ajustar o IOF para evitar que o endividamento cresça de forma descontrolada.
- Se o dinheiro está saindo demais do país, em remessas internacionais ou compras no exterior, o IOF sobre câmbio pode ser ajustado para desestimular esse movimento.
- Se o governo quer incentivar o consumo ou acesso ao crédito, pode reduzir o IOF em algumas operações, como já fez em algumas ocasiões.
Em resumo, o IOF não é apenas uma cobrança, ele é um instrumento de política econômica, que pode ajudar a manter o equilíbrio das finanças do país.

Como o IOF impacta o dia a dia das pessoas?
O IOF pode até parecer um imposto distante, mas a verdade é que ele está presente em várias decisões financeiras do cotidiano. Saber onde ele aparece ajuda a fazer escolhas mais conscientes e planejar melhor o orçamento. Veja algumas situações típicas em que o IOF aparece:
- Viagem internacional ou compras em sites estrangeiros: ao usar o cartão de crédito fora do Brasil ou fazer compras em lojas online internacionais, o IOF é aplicado sobre o valor convertido para reais. Isso significa que, além da variação do câmbio, o imposto entra na conta final.
- Envio de dinheiro para o exterior (remessas internacionais): vai ajudar um parente fora do Brasil ou pagar um serviço internacional? O IOF também incide sobre o valor enviado, e a alíquota pode variar dependendo do tipo de remessa.
- Contratação de empréstimos ou financiamentos: seja para realizar um projeto, organizar o orçamento ou cobrir uma emergência, toda vez que um crédito é contratado, o IOF faz parte do custo total da operação.
- Contratação de determinados seguros: alguns seguros, como o seguro de vida, também têm a incidência de IOF. Nesse caso, o valor aparece no custo total da apólice e pode ser consultado no momento da contratação.
- Parcelamento da fatura do cartão de crédito: sabe quando surge aquele imprevisto e a melhor saída é parcelar a fatura do cartão? Além dos juros cobrados pela operadora, o IOF também incide sobre o valor que será financiado.
Em todas essas situações, o IOF não é um custo escondido: ele faz parte da estrutura da operação e é informado antes da confirmação da transação. Entender isso ajuda a calcular melhor o valor final e evitar surpresas na fatura ou no extrato.
Como o IOF é calculado na prática?
Se, ao ouvir a palavra “cálculo”, você já pensa em algo complicado, pode ficar tranquilo. Entender como o IOF é aplicado nas suas operações financeiras é mais simples do que parece. Depende do tipo de operação, da alíquota vigente e, em alguns casos, do prazo da transação. Veja alguns exemplos práticos:
| Empréstimos e financiamentos Ao contratar um empréstimo, o IOF é composto por duas partes: Alíquota fixa: 0,38% sobre o valor total contratado. Alíquota diária: 0,0082% ao dia sobre o saldo devedor, limitada a 365 dias. Se você pegar um empréstimo de R$ 10.000,00 para pagar em 12 meses, o IOF seria calculado assim: IOF fixo: R$ 10.000,00 × 0,0038 = R$ 38,00. IOF diário: R$ 10.000,00 × 365 × 0,000082 = R$ 299,30. Total de IOF: R$ 337,30. Esse valor será incorporado ao custo total do empréstimo e estará discriminado na simulação antes da contratação. |
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| Compras internacionais com cartão de crédito. Ao fazer uma compra em sites estrangeiros ou durante uma viagem internacional, o IOF aplicado é de 4,38% sobre o valor convertido para reais. Se você comprar um produto que custe US$ 200, com o dólar a R$ 5,00, o valor convertido será R$ 1.000,00. IOF: R$ 1.000,00 × 0,0438 = R$ 43,80. Total que vai aparecer na fatura: R$ 1.043,80. |
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| Compra de moeda estrangeira em espécie. Se você for comprar dólares ou euros para levar em uma viagem, por exemplo, o IOF aplicado é de 1,1% sobre o valor total da operação. Se você comprar R$ 5.000,00 em moeda estrangeira: IOF: R$ 5.000,00 × 0,011 = R$ 55,00. Valor total da compra com IOF: R$ 5.055,00. |
| Uso do limite especial da conta ou rotativo do cartão de crédito. Quando o cliente utiliza o limite especial da conta ou entra no rotativo do cartão, o IOF é cobrado diariamente sobre o saldo devedor enquanto a dívida estiver aberta. Se você usar R$ 1.000,00 do cheque especial por 10 dias, o cálculo será: IOF fixo: R$ 1.000,00 × 0,0038 = R$ 3,80. IOF diário: R$ 1.000,00 × 10 × 0,000082 = R$ 0,82. Total de IOF: R$ 4,62. Esse valor virá junto com os juros do período na próxima cobrança. |
Importante: esses são apenas alguns exemplos práticos. As regras podem variar dependendo da operação, então vale sempre conferir as condições no momento da contratação.

O que mudou nas regras do IOF recentemente?
Nos últimos meses, o governo fez alguns ajustes nas regras do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). As alterações mais recentes, válidas até a publicação deste conteúdo (setembro de 2025), incluem:
- Crédito para empresas: a alíquota do IOF nas operações de crédito para pessoas jurídicas passou por alteração. O valor cobrado na contratação foi reduzido de 0,95% para 0,38%, mas permanece a cobrança diária de 0,0082% sobre o saldo devedor. A ideia é tornar o crédito um pouco mais acessível.
- Previdência privada (VGBL): agora, há limite para isenção do IOF em aportes realizados em previdência privada. Até o fim de 2025, os aportes somados até R$ 300 mil no ano são isentos do imposto. Acima desse valor, incide IOF de 5% sobre o excedente. A partir de 2026, esse limite anual passa a ser de R$ 600 mil.
- Operações internacionais: houve alteração nas alíquotas de IOF sobre operações como compra de moeda estrangeira, remessas internacionais, gastos com cartão de crédito no exterior, entre outras. Para a maioria dessas operações, a alíquota foi unificada em 3,5%. Isso significa que ao usar cartão internacional, enviar dinheiro ao exterior ou comprar dólar em espécie, você pagará a mesma taxa de IOF, e não mais percentuais diferentes, como era antes.
Essas mudanças fazem parte de um esforço para simplificar regras e buscar mais equilíbrio na arrecadação. Para conferir todos os detalhes e eventuais atualizações, acesse o texto completo do Decreto 12.499/2025.
Como o Banco do Brasil informa o IOF em suas operações?
O Banco do Brasil adota uma política de transparência total nas informações sobre o IOF.
Antes de contratar qualquer serviço financeiro, o cliente tem acesso a uma simulação com o custo total, incluindo o IOF. Após a contratação, os valores referentes ao IOF aparecem discriminados de forma clara:
- Na fatura do cartão de crédito, em um campo específico.
- No extrato da conta corrente, nas operações de câmbio ou investimentos.
- Nos contratos de crédito, com detalhamento no momento da assinatura.
Além disso, o App BB permite consultar detalhes de todas as operações com praticidade e segurança.

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