Desenquadramento do MEI: saiba quando virar Microempresa e como se preparar

Quando o faturamento do MEI começa a crescer, o empreendedor vive uma mistura de sentimentos. De um lado, o orgulho pelo caminho percorrido. Do outro, aquele friozinho na barriga ao ouvir falar em desenquadramento.  

Atingir o limite do MEI e precisar mudar de regime é um dos sinais mais claros de que a empresa está evoluindo. Ainda assim, esse momento costuma vir acompanhado de dúvidas como: vou pagar mais impostos? Preciso de um contador? Posso ter problemas se não fizer nada? 

A verdade é que o desenquadramento do MEI marca uma virada importante na trajetória do negócio. E, embora as regras pareçam confusas à primeira vista, entender como esse processo funciona é essencial para que o crescimento continue de forma organizada e sem surpresas. 

Neste post, você vai entender quando a migração do MEI é obrigatória, o que muda na prática e como se preparar financeiramente para essa transição. 

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O que é o desenquadramento do MEI? 

Desenquadramento é o termo usado para indicar a saída do regime de Microempreendedor Individual. Isso pode acontecer de forma voluntária, quando o empreendedor percebe que o faturamento vai ultrapassar o limite anual, ou de forma obrigatória, quando alguma regra do MEI deixa de ser atendida. 

Na prática, significa deixar de atuar como MEI e passar a operar como Microempresa (ME) ou, em alguns casos, como Empresa de Pequeno Porte (EPP). Essas categorias fazem parte do Simples Nacional, um regime que unifica impostos federais, estaduais e municipais em uma única guia, chamada DAS. O valor é calculado como um percentual sobre o faturamento da empresa. 

Quando o desenquadramento é obrigatório? 

Existem situações em que a migração deixa de ser uma escolha e passa a ser obrigatória. As principais são: 

  • Faturamento acima do limite: o MEI pode faturar até R$ 81 mil por ano. Se esse valor for ultrapassado em até 20% (até R$ 97,2 mil), é possível continuar como MEI até o fim do ano e organizar a migração para ME no ano seguinte. Acima disso, o desenquadramento acontece automaticamente, com efeitos retroativos a janeiro daquele ano. 
  • Contratação de mais de um funcionário: quem é MEI pode ter apenas um empregado registrado. Ao precisar ampliar a equipe, a mudança de categoria se torna necessária. 
  • Abertura de filial ou novo sócio: o MEI não pode ter filial nem sociedade. 
  • Mudança de atividade: exercer uma atividade não permitida para MEI também exige o desenquadramento. 

Como o faturamento influencia o desenquadramento do MEI

Faturamento total no ano Situação do MEI O que acontece na prática 
Até R$ 81.000 Dentro do limite Pode seguir normalmente como MEI, sem necessidade de mudança. 
De R$ 81.001 até R$ 97.200 Excesso de até 20% Pode continuar como MEI até o fim do ano e migrar para ME no ano seguinte. 
Acima de R$ 97.200 Excesso acima de 20% O desenquadramento é automático e passa a valer desde o início do ano. 

Sinais de que você está próximo desse momento 

Antes mesmo de ultrapassar o limite formal, alguns sinais indicam que o momento de realizar a migração pode estar chegando: 

  • Faturamento mensal médio acima de R$ 6.500 
  • Pedidos de notas fiscais com valores mais altos 
  • Interesse em vender para empresas maiores ou participar de licitações 
  • Necessidade de ampliar a equipe 
  • Planos de ter sócio ou abrir outra unidade 
  • Sensação de que a gestão financeira está mais complexa 

Esses indícios mostram que a empresa está amadurecendo e que a estrutura do MEI pode estar ficando pequena para essa nova fase. 

O que muda (e o que não muda) ao virar microempresa? 

Ao se tornar microempresa, o negócio passa a operar com uma estrutura mais compatível com o crescimento. As mudanças estão ligadas principalmente à organização da gestão e ao acompanhamento financeiro mais próximo. 

– O que muda na prática: 

  • Limite de faturamento maior: como ME, é possível faturar até R$ 360 mil por ano, o que abre espaço para crescer com mais tranquilidade. 
  • Impostos proporcionais ao faturamento: a empresa deixa de pagar o valor fixo mensal do MEI e passa a recolher tributos de acordo com quanto fatura e com a atividade exercida, pelo Simples Nacional. 
  • Assistência contábil: diferente do MEI, a microempresa precisa do acompanhamento contínuo de um contador, que passa a cuidar das obrigações fiscais, da folha de pagamento e das declarações. Essa mudança traz mais controle e segurança para o negócio. 
  • Definição de pró-labore: ao virar ME, o empreendedor passa a definir um pró-labore, que é a remuneração mensal pelo trabalho realizado na empresa. É sobre esse valor que incide a contribuição ao INSS, agora calculada pela alíquota padrão (11%), garantindo os direitos previdenciários, como aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade. No MEI, essa contribuição já estava incluída no DAS. Na ME, ela passa a ser organizada de forma separada, com apoio do contador. 
  • Contratação de funcionários sem limite fixo: não há mais a restrição de apenas um empregado. A empresa pode montar a equipe de acordo com a demanda. 
  • Rotina financeira mais estruturada: com a contabilidade formal, o empreendedor passa a ter relatórios, demonstrativos e uma visão mais clara da saúde financeira do negócio. 

– O que não muda: 

  • A empresa pode continuar no Simples Nacional, com tributação simplificada. 
  • O CNPJ pode ser mantido. 
  • O negócio segue funcionando normalmente durante a transição.

Como fazer o desenquadramento do MEI? 

Quando chega o momento de sair do MEI, contar com o apoio de um contador faz toda a diferença. Esse profissional é responsável por orientar o processo, avaliar as mudanças necessárias e cuidar da parte documental, evitando erros e surpresas ao longo do caminho. 

De forma geral, o desenquadramento envolve alguns ajustes importantes: 

  1. Comunicar o desenquadramento no Portal do Simples Nacional, dentro do prazo correto. 
  1. Verificar se existem pendências como débitos ou obrigações do período como MEI. 
  1. Formalizar o novo enquadramento da empresa como Microempresa (ME) e atualizar os cadastros na Receita Federal, no Estado e no Município. 
  1. Organizar a nova rotina do negócio, com orientações sobre emissão de notas fiscais, folha de pagamento e controles financeiros compatíveis com essa nova fase. 
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Quanto tempo demora para fazer o desenquadramento do MEI? 

A comunicação do desenquadramento é rápida e pode ser feita em poucos minutos. O que costuma levar mais tempo é a organização da mudança, que envolve análise do faturamento, ajustes cadastrais e adaptação da rotina financeira. 

Com acompanhamento contábil, esse processo costuma levar poucas semanas, dependendo da complexidade do negócio. 

Quanto custa para sair do MEI? 

O desenquadramento em si é gratuito. Não há taxa para comunicar a mudança no Simples Nacional. 

Os custos começam a existir a partir da nova realidade como Microempresa, principalmente nos impostos proporcionais ao faturamento.  

Ao sair do MEI, a empresa deixa de pagar um valor fixo mensal e passa a recolher tributos de acordo com quanto fatura e com a atividade exercida, dentro do Simples Nacional. 

Na prática, funciona assim: se uma microempresa fatura R$ 10 mil em um mês, o imposto é calculado como um percentual sobre esse valor. Se no mês seguinte o faturamento cair para R$ 5 mil, o imposto também diminui. Se não houver faturamento, não haverá cobrança de tributos sobre receita no DAS. 

Ainda assim, vale lembrar que encargos de folha de pagamento (funcionários e pró-labore) e obrigações acessórias permanecem.  

Como se preparar financeiramente para essa transição? 

Virar ME exige uma gestão financeira mais estruturada. Algumas dicas práticas ajudam nessa preparação: 

  • Separe pessoa física de pessoa jurídica: tenha contas bancárias separadas para facilitar o controle, evitar confusões no fluxo de caixa e no pagamento de impostos. 
  • Acompanhe o faturamento de perto: use ferramentas como planilhas ou aplicativos de gestão, para monitorar quanto está entrando e saindo. 
  • Reserve uma margem para os impostos: como os tributos passam a ser proporcionais ao faturamento, é importante reservar parte da receita para isso. 
  • Planeje os custos fixos: contador, sistemas de gestão, folha de pagamento… tudo isso entra na conta. Antecipe esses valores para não ser pego de surpresa. 
  • Revise sua precificação: ao virar uma ME seus custos podem mudar, e ajustar os preços a essa nova realidade pode garantir uma margem saudável. 
  • Mantenha uma reserva de capital de giro: esse montante ajuda a cobrir despesas em meses de faturamento mais baixo ou investimentos necessários para o crescimento. 

Como o Banco do Brasil ajuda nessa nova fase? 

Crescer como empresa também significa ter acesso a soluções financeiras que acompanham esse movimento. Para apoiar esse crescimento e facilitar a rotina da empresa nessa nova etapa, o Banco do Brasil oferece uma estrutura completa de soluções para microempreendedores que estão nessa transição: 

  • Conta PJ: quem tem a Conta Empresa BB aproveita soluções que ajudam a organizar o fluxo de caixa, como maquininha de cartão, boleto, Pix e BB Pay
  • App PJ: acesso a qualquer hora e de qualquer lugar para acompanhar saldo e movimentações, realizar pagamentos, investimentos e emitir boletos de cobrança ou links de pagamento para as vendas. 
  • Cartão Ourocard Empresarial Elo: permite centralizar as despesas da empresa, facilita o controle financeiro e ainda oferece benefícios e descontos na anuidade. 
  • Capital de giro: opção para investir em estoque, equipamentos ou cobrir necessidades pontuais de caixa, mantendo a operação em equilíbrio. 
  • Antecipação de recebíveis: solução que permite receber antes valores de vendas já realizadas, como no cartão de crédito ou em cobranças com prazo. É uma forma de reforçar o caixa usando recursos que a empresa já tem a receber. 
  • Painel PJ: plataforma que apoia o planejamento financeiro e a gestão do fluxo de caixa da empresa, com visão mais clara das entradas e saídas. 
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Gostou de saber mais sobre o desenquadramento do MEI? Esse momento marca uma virada importante na jornada de quem empreende. Compartilhe este conteúdo com amigos e colegas que também estão crescendo e precisam se preparar para os próximos passos do negócio.  

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