Você já parou para pensar por que falar de dinheiro com crianças e adolescentes ainda parece um desafio? Muita gente acha que finanças é coisa de adulto, ou então um tipo de conversa que só deve acontecer dentro dos bancos.
Mas a história de Maria Luiza Lira, que aos 15 anos já é influenciadora, escritora e educadora, mostra que é justamente o contrário.
Nascida no interior do Amazonas, Malu Finanças (como é conhecida) transformou uma simples curiosidade de infância em um propósito que já impacta milhares de crianças e jovens em todo o Brasil. Seu objetivo é provar que entender como o dinheiro funciona pode abrir portas, realizar sonhos e mudar histórias. Não só na conta bancária, mas na vida inteira.
A curiosidade de criança que virou missão de vida.

Imagine a cena: uma menina pequena numa feira do interior do Amazonas, observando atentamente o dinheiro nas mãos da mãe enquanto escolhia um brinquedo. Foi assim que tudo começou.
“Desde pequena, sempre tive curiosidade sobre o dinheiro. Via como ele comprava brinquedos na feira e pagava pelas outras coisas que se precisa dentro de casa. Na minha cabeça, o dinheiro servia justamente como um ajudante pra realizar sonhos e ter uma vida melhor pra mim e pra minha família.”
Esse olhar atento foi sendo alimentado também dentro de casa. Mesmo sem uma educação financeira formal, os pais de Malu transmitiam lições que fizeram toda a diferença.
“Eles sempre me disseram que se deve gastar menos do que se ganha e que, se eu quisesse qualquer coisa, tinha que primeiro guardar pra isso. Apesar de não terem aprendido sobre finanças na infância, nunca falaram do dinheiro como se fosse algo ruim.”
E Malu não ficou só na teoria. Desde cedo, transformou a curiosidade em ação.
“Quando vi pra que o dinheiro servia, logo quis saber como podia ganhar meu próprio dinheirinho. Eu cresci empreendendo, mesmo sem saber que esse era o nome. Vendia pulseiras, colares de miçanga e bolo com a ajuda da minha mãe. Lembro que pegava latas de leite pra fazer cofrinhos, só pra poder ouvir o tilintar das moedas no momento em que elas caíam no fundo.”
Aos 8 anos, a vida da família mudou de cenário. Eles se mudaram do interior para Manaus, capital do Amazonas. E foi lá que Malu encontrou um novo aliado na busca por respostas: a internet.
“Comecei a pesquisar como podia ficar rica! Assim, mergulhei de cabeça no mundo das finanças. Quanto mais aprendia, mais percebia a falta desse tema tão essencial sendo ensinado nas escolas e nas casas de outras famílias.”
Quando ninguém falava com as crianças, ela decidiu falar.
Mas a empolgação logo esbarrou em um problema: o conteúdo disponível era feito só para adultos. A linguagem era difícil, com termos complicados e até palavrões. “No começo, minha mãe não queria que eu acompanhasse esses canais financeiros, justamente por causa dos palavrões que, de vez em quando, eles soltavam.”
Na escola, a situação não era muito diferente. Quando tentava compartilhar o que aprendia, ouvia dos colegas que finanças eram chatas. Os próprios professores diziam que aquele assunto não era para crianças. “Apesar de me desanimar com isso, acho que foi justamente por não conseguir ser ouvida na sala de aula que fui falar e compartilhar o que sabia na internet.”
E foi o que ela fez. Aos 9 anos, Malu começou a criar conteúdo sobre educação financeira para crianças e adolescentes.
O primeiro livro e o início de uma revolução.

Com apenas 11 anos, Malu deu mais um passo importante: lançou o primeiro livro sobre finanças voltado para o público infantil. “Eu descobri meu propósito de levar transformação através da educação e da educação financeira. E, hoje, tenho meu sonho realizado de levar educação financeira para dentro da sala de aula através do meu programa de ensino e dos 20 livros que já publiquei.”
O projeto “Malu na Escola” é o resultado dessa jornada. Com livros, contação de histórias e atividades lúdicas, ela transforma o que poderia ser um tema difícil em algo acessível e divertido para estudantes de todas as idades.
Mais do que contas: por que falar de dinheiro é falar de futuro?
Para Malu, a educação financeira vai muito além de aprender a economizar ou investir. É sobre construir um futuro melhor, tanto individual quanto coletivo. “Muito se fala que as crianças são o futuro, mas o que se esquece é que é preciso preparar esse futuro desde o presente. Hoje, já vemos os resultados da falta de educação financeira com os altos índices de endividamento que temos entre os brasileiros.”
Ela defende que falar de dinheiro é uma questão de cidadania e desenvolvimento social. “Precisamos ensinar os estudantes a lidarem com suas finanças; afinal, independente do caminho que escolherem para suas vidas, todo jovem precisará lidar com o dinheiro em seu futuro.”
Ferramentas como o Cofrinho BB, disponível na Conta BB Cash, podem ser grandes aliadas nesse processo. A ideia é que os jovens comecem a criar o hábito de guardar dinheiro com propósito, estabelecendo metas e acompanhando o próprio progresso.

Conselhos de quem começou cedo: economizar, planejar e investir.

Quando o assunto é começar a cuidar do próprio dinheiro, Malu é direta: “O primeiro passo deve ser criar algum objetivo. Não adianta começar essa jornada se você não sabe pra onde quer ir.”
Ela sugere dividir o dinheiro entre o “eu do presente”, para as necessidades e os desejos imediatos, e o “eu do futuro”, que representa as metas de longo prazo.
Sobre os erros mais comuns, Malu faz um alerta: “Muitos jovens, quando começam a receber o próprio dinheiro, focam apenas no presente e em como querem ser vistos pelos amigos. Esquecem de guardar uma parte para suas metas e acabam com as finanças bagunçadas.”
O antídoto para isso? Disciplina e planejamento. “Pra economizar, você não pode esperar guardar o que sobrar depois de gastar; você precisa gastar o que sobra depois de guardar.” Ela também reforça a importância de anotar todos os gastos, inclusive os menores, e de ter uma meta bem clara para não cair em tentações.
E, quando o assunto é investimento, ela é ainda mais enfática: “O principal aliado nos investimentos é o tempo, que multiplica o efeito dos juros compostos no seu dinheiro. Quanto mais cedo, melhor!”. A dica da Malu é procurar opções simples e acessíveis, como CDBs e títulos do Tesouro Direto, com destaque para o Tesouro Educa+, ideal para quem sonha em investir nos próprios estudos.
Quando a educação financeira muda vidas de verdade.
Ao longo da sua trajetória, Malu já recebeu incontáveis mensagens de seguidores contando como suas dicas ajudaram a transformar realidades. Mas algumas histórias ficam marcadas para sempre.
“Teve uma adolescente de 13 anos que estava passando por momentos difíceis. Ela me contou que ganhou meu livro ‘Finanças para Crianças’ e uma mesada de presente, e como isso trouxe esperança pra ela naquele momento difícil.”
Para Malu, é esse tipo de impacto que dá sentido ao trabalho. “A parte que mais gosto do que faço é ver como isso gera um impacto na vida de outras pessoas e jovens como eu.”
Os próximos capítulos: o que vem por aí?
Malu segue com o mesmo propósito que a motivou lá atrás, com apenas 9 anos. “Meu maior propósito com a Malu Finanças sempre foi causar transformação através da educação financeira e pretendo continuar trazendo isso de maneira descomplicada e com um toque de diversão.”
Além de criar novos conteúdos nas redes sociais, ela segue ampliando o alcance do projeto Malu na Escola, levando cada vez mais suas ideias para mais salas de aula pelo Brasil. “Eu sou a irmã mais velha da minha família e, assim como sinto que preciso dar um bom exemplo para os meus irmãos, sinto que preciso me esforçar para ser uma boa inspiração para as outras crianças e jovens que me acompanham. Sempre quis que minha vida fosse uma grande história e, agora, posso usar essa história para inspirar o nascimento de outras também.”
E, antes de encerrar a conversa com o Blog BB, ela deixou um recado para todos os jovens que estão começando a cuidar do próprio dinheiro, ou pensando em dar o primeiro passo: “O dinheiro não é o vilão da história, mas também não pode ser o herói. Você é o protagonista.”

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