Já ouviu falar em práticas ASG ou ESG? A sigla em português, que significa Ambiental, Social e Governança Corporativa (ASG), Environmental, Social and Corporate Governance (ESG), em inglês, ganhou um peso importante na estratégia de diversas empresas, de todos os portes, ao redor do mundo.

Os consumidores passaram a cobrar condutas mais responsáveis e igualitárias das marcas e empresas. A sociedade agora demanda uma consciência maior dos empreendedores em relação aos impactos no meio ambiente. A necessidade de maior democratização de acesso, além da inserção da diversidade de gênero no mundo corporativo ser pauta fundamental.

Com o mercado mais engajado nesses aspectos, as instituições e os investidores passaram a incorporar as práticas ASG nos seus planejamentos de negócio.

Se você também preza pela sustentabilidade como consumidor ou quer adotar uma governança corporativa mais responsável na sua empresa, é bom conhecer o tema. E ainda descobrir as tendências e principais transformações.

Práticas ASG: como estão transformando o mundo corporativo?

Em 2004, a nomenclatura em inglês Environmental, Social and Corporate Governance (ESG) foi usada pela primeira vez em um relatório do Pacto Global da ONU. O documento, em parceria com o Banco Mundial, surgiu de uma demanda do então secretário geral das Nações Unidas, Kofi Annan, aos 50 maiores CEOs globais de instituições financeiras, sobre como integrar, no mercado de capitais, os fatores de governança, sociais e ambientais.

Em português, a sigla ASG norteia ações mais responsáveis entre as organizações. As relações são cada vez mais pautadas por sustentabilidade, responsabilidade social e transparência nas suas políticas corporativas.

Relevância no mercado    

Apesar de terem sido criadas há quase duas décadas, as práticas ESG vêm se tornando cada vez mais relevantes. Tanto a sociedade vem demandando cada vez mais atenção ao tema, quanto as empresas têm se adaptado e, com isso, obtendo ganhos e melhorias nas suas atividades.

A sustentabilidade da empresa não importa mais apenas para cumprir leis e novas regras ambientais. Hoje ela dita a imagem perante o público, o valor diante de acionistas e até a capacidade de se manter e prosperar no futuro.

No Brasil, uma pesquisa de 2019 da Union Webster mostrou que 87% das pessoas preferem comprar de negócios sustentáveis. Como você verá a seguir, essa preferência só foi aumentando.

Impactos da pandemia

Se essa já era uma demanda crescente de mercado, a pandemia acelerou ainda mais o interesse sobre o tema. Por conta da crise sanitária e principalmente dos seus reflexos sobre a economia, aumentaram as cobranças em relação à postura socioambiental dos negócios.

As pesquisas da população pelo termo, em inglês, ESG na internet quase triplicaram nos 12 meses anteriores a fevereiro de 2022. Em relação ao tema ASG como um todo, as buscas aumentaram 150% no Brasil, segundo uma pesquisa do Google Trends.

Perspectivas de crescimento

Um estudo da McKinsey aponta como o mercado responde rapidamente ao aumento da demanda por empresas ESG. De acordo com a consultoria, 83% dos executivos e investidores esperam que a adoção dessas práticas esteja diretamente relacionada ao aumento de valor das organizações nos próximos cinco anos.

Essa conscientização maior e os consequentes ganhos da sociedade com a adoção, por parte das empresas, dessas práticas, tornaram-nas fundamentais para os negócios. A adaptação é a melhor forma de prosperar.

Tendências de ASG para 2022

A fim de aderir às novas demandas do mundo dos negócios e fazer parte desse movimento de transformação, é fundamental conhecer as suas tendências. Para 2022, alguns temas devem atrair os interesses dos investidores que valorizam práticas sustentáveis.

Segundo estudo realizado pela consultoria Deloitte, dentre eles: redução dos gases do efeito estufa, regulamentação dos mercados de crédito de carbono, diversidade e inclusão. O mesmo documento indica que 74% das organizações com ações na bolsa planejam ampliar o seu orçamento direcionado à ASG ainda neste ano.

O ASG é uma mudança de modelo no capitalismo

Quando se trata do tema de ASG no Brasil, o nome de Sônia Consiglio tende a ser imediatamente lembrado. Jornalista e especialista em desenvolvimento sustentável, Sônia tem, na sua carreira, passagem pelas diretorias de comunicação e sustentabilidade de instituições financeiras de peso, como o BankBoston, o Itaú Unibanco e a Bolsa de Valores B3.

Em 2016, foi eleita SDG Pioneer pelo Pacto Global da ONU, por ter trabalhado para o desenvolvimento de um mercado de ações mais transparente e sustentável na B3. A honraria é destinada àqueles líderes empresariais que tiveram reconhecida atuação em prol do desenvolvimento sustentável.

Autora do livro #vivipraver – A história e as minhas histórias da sustentabilidade ao ESG e palestrante, Sônia Consiglio fala sobre esse movimento crescente. Discorre ainda sobre o maior interesse “em produtos que alinhem o social e ambiental” e o engajamento das empresas brasileiras no tema. E sentencia: ninguém está totalmente pronto para esse tema ainda, pois é uma agenda em aberto.

Sônia Consiglio

Quais são as tendências dos fundos ASG?

Sônia: A gente já vem percebendo um movimento crescente de cinco anos para cá, com grande intensificação nos dois últimos anos da oferta de produtos de ASG nos mercados e fundos. Então não tem dúvida que tem uma expectativa de aumento. Um estudo da Moody’s diz que a expectativa do tamanho do mercado de títulos de ASG, ao fim desse ano, é de US$ 1,35 trilhão. Isso significa 15% do volume global de fundos. Em 2020, era de 6,7% e, em 2021, de 11,3%. Então sim, o mercado é comprador desses títulos. Essa pesquisa cita a tendência de aumentar o interesse em produtos que alinhem o social e o ambiental. De 2017 e 2018, foi relativamente o mesmo volume, mas, de 2019 em diante, a gente só vê os números crescendo e deve continuar assim.

Como o Brasil se coloca nessa posição em comparação com o resto do mundo? Como o país se coloca globalmente no mercado de ASG?

Sônia: Quando a gente fala de sustentabilidade como um todo, e aí eu vou falar do setor privado, as empresas brasileiras são muito engajadas e têm muitas práticas consistentes. Hoje não tem uma iniciativa global de sustentabilidade que não tenha brasileiro participando, ou mesmo liderando, do ponto de vista corporativo. Então a gente tem uma maturidade muito grande e um engajamento. Empresas têm um posicionamento muito robusto. Os investidores também têm. Mas é claro que, quando a gente fala em investimento sustentável, a Europa se destaca. Ela é o farol nessas questões, os investidores estão absolutamente dentro dessa agenda.

E o que tem de oportunidade no Brasil? Você acha que as empresas do país estão preparadas para ver essa expansão do mercado?

Sônia: Eu acho sinceramente que ninguém está preparado. Essa é uma agenda em construção na qual todo mundo está tentando fazer o melhor possível. Então a própria União Europeia começa a trazer regras para importação sem desmatamento, uma sobretaxa de carbono. São questões altamente debatidas, e todo mundo está tentando entender e encontrar o seu caminho. A gente tem discutido muito é que com a aprovação do Artigo 6 do Acordo de Paris, que cria um mercado global de carbono, essa é uma oportunidade muito interessante pro Brasil. Todos os estudos mostram a possibilidade de o Brasil atrair esses recursos, por toda a sua geografia e riqueza natural. Quanto às possibilidades no mercado de crédito de carbono, há muitos dados de que o Brasil pode crescer muito com o mercado de carbono se estabelecendo. Quando a gente fala dessa parte, das questões ambientais, tem esse possível diferencial competitivo, mas a gente precisa confirmar e trabalhar para isso. Mas é sempre bom dizer o quanto a gente tem desafios sociais. A agenda social e a desigualdade social cresceram muito na pandemia, são estarrecedoras. Então não tem almoço grátis, e não tem lição fácil. A gente está transformando um modelo de operar nesse mundo, e tudo está em construção. Mas há oportunidades na mesa interessantes para o Brasil, sim.

Quando se pensa em ESG, muitos associam a sustentabilidade ambiental. Mas você tocou no ponto de sustentabilidade social, na qual as grandes empresas no Brasil já parecem estar um pouco mais avançadas.

Sônia: Na verdade, é essa a mudança de modelo: você traz o consumidor. Eu sempre trago o exemplo de que, quando eu era adolescente, eu lavava carro sábado à tarde em casa para sair sábado à noite. Não tinha essa coisa de levar no lava-rápido, e a gente lavava o carro. Enquanto ensaboava o carro, a mangueira ficava aberta, jorrando água. Eu não era uma pessoa não preocupada com o meio ambiente, a vida era assim, e isso era comum. Hoje se a gente fizer isso vem um monte de gente falar “você tá doida, tá desperdiçando água!”. Então, o que eu entendo é que, quando a gente fala de ASG, a gente está falando de uma mudança de padrão de comportamento, consumo de compra, fazer negócio e consumir recursos. É uma mudança de modelo de capitalismo. A gente conhece muito sobre capitalismo consciente, responsável, stakeholders. No fim do dia, é tudo a mesma coisa, é um novo capitalismo que entendeu que as questões econômico-financeiras sozinhas não dão mais conta, que o ambiental e o social impactam no econômico-financeiro. Então eu mudo o jeito de fazer negócio ou daqui a pouco eu não consigo mais fazer negócios.

Os dez compromissos do Banco do Brasil para um mundo mais sustentável

Um dos maiores bancos brasileiros não poderia ficar de fora dessa, né? Tendo em vista esse aumento da demanda por uma nova economia mais sustentável, voltada para o meio ambiente e social, sempre pensando na melhora da governança, o Banco do Brasil estabeleceu dez compromissos no tema ASG.

Quer conhecer? Veja a seguir.

Fomento à Energia Renovável

O banco tem o compromisso de fomentar soluções que ajudem a melhorar a eficiência das fontes energéticas. Assim, ele contribui para reduzir o consumo de fontes não renováveis e agressivas ao meio ambiente.

Isso é feito por meio do incentivo de soluções financeiras voltadas à aquisição de sistemas, como painéis solares, equipamentos mais eficientes, entre outros. Tanto em casas e empresas quanto no campo.

Incentivo à Agricultura Sustentável

O Banco do Brasil presta apoio à agricultura familiar e preza por incentivos para melhores práticas agrícolas.

As metas nesta área são ambiciosas. Até 2025, a instituição pretende destinar R$ 125 bilhões para créditos contratados nesse segmento. O foco são ações mais eficientes de plantio e colheita e uma produção mais alinhada às demandas de desenvolvimento do país.

Fomento ao Empreendedorismo

O apoio ao desenvolvimento dos brasileiros também possui impactos diretos em termos socioambientais. Por isso, a instituição auxilia empreendedores com crédito e conteúdos sobre educação financeira.

Até 2025, o Banco do Brasil deseja ter 1 milhão de clientes empreendedores. E assim, tornar-se fundamental com crédito para geração de mais empregos e promoção de crescimento econômico.

Ampliação da Eficiência Estadual e Municipal

Estados e municípios também receberão ajuda em melhorias administrativas, educativas, de eficiência energética, entre outras. Já há metas para até 2025 nesta área.

O principal objetivo é desembolsar R$ 20 bilhões em apoio ao programa Eficiência Estadual e Municipal. Ele engloba desde melhorias administrativas até nas áreas de educação, meio ambiente, mobilidade, entre outras.

Ampliação dos Investimentos ASG

A instituição direciona cada vez mais recursos a investimentos ESG. Com isso, desempenha um papel relevante para motivar ações voltadas à adoção de práticas com viés ambiental, social e de governança corporativa.

Há uma meta de chegar a 2025 com R$ 20 bilhões aplicados em empresas alinhadas a essas causas. O banco também realizará uma avaliação, até o final de 2022, sobre os critérios ESG de 100% dos ativos aplicáveis sob gestão da BB DTVM.

Originação de Títulos Sustentáveis

Por meio da Originação de Títulos Sustentáveis, o Banco do Brasil atua na criação de investimentos com impactos positivos em diferentes âmbitos sociais e ambientais.

O grande objetivo é disponibilizar o equivalente a R$ 30 bilhões em recursos sustentáveis negociados no mercado de capitais. Dessa maneira, procura-se fazer com que os próprios investidores reconheçam a sustentabilidade como um excelente negócio.

Aumento do cuidado ambiental

O banco amplia constantemente o seu foco nos princípios de preservação do meio ambiente, guiando-se por medidas específicas. Elas incluem a aquisição de energia renovável além da redução e compensação de emissões de gases do efeito estufa.

Desde 2021, 100% das emissões indiretas desses gases são compensadas, e a meta é reduzir, até 2030, um total de 30% das emissões diretas.

Já para 2024, a meta é que 90% das fontes de energia da instituição sejam renováveis.

Valorização da diversidade

O Banco do Brasil realiza ações em prol da inclusão, principalmente voltadas à equidade de gênero e de raça em cargos de liderança.

Nesse quesito, os investimentos mais significativos atualmente são na formação de futuros líderes. Até 2025, haverá ao menos um terço de mulheres e 23% de pessoas pretas e pardas liderando a instituição.

Ampliação da maturidade digital

Quanto mais digitais são os serviços prestados, menores são os impactos para o meio ambiente. Ao mesmo tempo, isso permite, aos clientes, ganhos em comodidade, tempo e satisfação.

Sabendo disso, o banco pretende ter 17 milhões de clientes mais conectados até 2025. O foco é atender às demandas de praticidade e inovação da sociedade, sem abrir mão da solidez financeira.

Contribuição à sociedade

Constantemente, a instituição promove projetos de educação, tecnologias sociais e sustentabilidade. Eles são criados e viabilizados graças aos investimentos na Fundação Banco do Brasil.

Até 2030, a meta é investir mais de R$ 1 bilhão em projetos educativos, ações de inclusão socioprodutiva. Esta parte abrange cuidados com o meio ambiente, incentivo ao voluntariado e desenvolvimento de novas tecnologias sociais.

Gostou de saber mais sobre esse assunto tão importante para a economia no futuro? Então entenda mais sobre ASG no Blog BB e conheça as oportunidades de investir em fundos com essas características.

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