Levante a mão aí quem já ouviu de alguma mãe aquela típica frase: “Só vou contar até três!” ou “Você não é todo mundo!” ou a ameaçadora “Se eu for até aí….”. Fato é que já vem no chip materno um repertório de frases que quase todas elas falam. O que elas não sabem, ou talvez escondam que sabem, é que muitas destas frases-que-toda-mãe-diz trazem um quê de sabedoria financeira que resiste de gerações a gerações.
Lembra daquele dia, você saindo de casa, não importa que horas foi isso, nem o que a moça do tempo falou no dia anterior, e sua mãe grita lá de dentro: “Leva a blusa, que vai fazer frio”? E o mais incrível, fez frio. E você não obedeceu a sua mãe. E o erro foi fatal. Prevenção e cuidado típicos de quem ama, com pitadas, claro, de previsões meteorológicas. Esse olhar de “vai que”, por exemplo, está muito presente em quem topa uma previdência privada ou mesmo um seguro pra sua vida ou para o seu patrimônio. Afinal de contas, pode “fazer frio” sim. Então, que tal levar uma blusa?

Outra dessas frases mágicas era a clássica: “Na volta a gente compra”. Sei. Todo aquele ímpeto incontrolável por um objeto de consumo, de sonhos intermináveis, era contido com aquele “espera só um pouquinho”. Quantas impulsividades foram evitadas? Inúmeras. É o tal do conceito da gratificação adiada, e quem já viu o “teste o marshmallow” sabe do que estou falando. Calma, respira, conte até três, olhe bem o seu orçamento e então compre, ou não. Mesmo porque, “dinheiro não dá em árvore”, não é?
Agora, ter uma boa assessoria financeira, para não sair desembestado investindo na primeira oportunidade de retorno milagroso que aparecer na sua frente, pode fazer valer aquela boa análise do seu perfil de investidor ou investidora, e mostrar, de fato, que “você não é todo mundo”! Que você sabe analisar os riscos, sabe explicar na roda de amigos a diferença entre um PGBL e um VGBL e que não é porque “todo mundo está pulando da ponte que você vai pular também”.
Educação financeira a gente pode aprender, e ensinar, em casa. Na minha, na sua ou mesmo na “casa da mãe Joana”. Nas pequenas lições e frases e decisões do dia a dia, que podem nos ajudar por muitos e muitos anos. Minha mãe sempre dizia: “Quem poupa, tem pra quando precisa”. Fato. E aí na sua casa: qual era a frase típica que sua mãe sempre dizia, e que você não esquece até hoje? Pra falar a verdade, acho que sua mãe está até merecendo um pix envelopado de presente depois deste monte de lições de vida.
Pablo Marcelo, Gerente do BB, formado em Filosofia pela Unicamp, autor do livro “Diário do Fretado“e peregrino nas horas vagas – com algumas caminhadas de longa distâncias pra contar história, além de podcaster. Casado com a Danielle e pai da Liz Regina e da Nina Olívia.