Múmias: a falsa central que enrola você em mentiras

🧟‍♂️ Série Halloween Financeiro: aprenda a fugir dos monstros dos golpes!

Imagine: você está no meio do seu dia, e o telefone toca. É uma voz séria, aparentemente profissional, que se apresenta como sendo do seu banco, alertando sobre uma transação suspeita na sua conta. O coração gela, certo? Será a múmia do golpe da falsa central tentando te envolver em suas bandagens de mentiras?

Múmias são as mestras do suspense. Envoltas em faixas e segredos, elas despertam em filmes para assombrar quem ousa perturbar seu descanso. Seja em tumbas egípcias ou em aventuras cinematográficas, seu poder está na ilusão: parecem inofensivas até revelarem maldições capazes de destruir civilizações e seu patrimônio.

Assim como Imhotep guarda segredos mortais sob suas bandagens e manipula sua mente, golpistas da falsa central escondem mentiras sob números de telefone aparentemente confiáveis. Eles ligam para você dizendo que sua conta foi invadida, seu cartão foi clonado, que há uma compra suspeita em seu nome (muitas vezes com valores altos e em locais distantes), ou até que você “ganhou um prêmio” (que exige taxas absurdas para ser liberado). O tom é sempre alarmante e urgente, para que você não tenha tempo de pensar, de verificar ou de consultar alguém de confiança. Eles podem até simular o barulho de uma central de atendimento, com vozes de fundo e chamadas em espera, para aumentar a credibilidade. O objetivo é te convencer a agir no calor do momento. Mas, assim como um arqueólogo prudente evita maldições ao se manter cético e verificar tudo, você pode evitar esse golpe, basta não desembrulhar a oferta suspeita e seguir as regras de segurança do seu banco.

O golpe e o “poder” da múmia:

Os criminosos que utilizam o golpe da falsa central são mestres da engenharia social e da manipulação psicológica. Eles usam técnicas sofisticadas para parecerem legítimos e te convencerem a entregar seus dados ou realizar transações que sem que você perceba, contribuem para a concretização do golpe.

• Falsa identificação e spoofing: Eles se apresentam como funcionários do Banco do Brasil, da sua operadora de cartão de crédito, de uma empresa de segurança ou até mesmo de órgãos governamentais. Utilizam a técnica de spoofing telefônico, que mascara o número real que está ligando, exibindo um número de telefone que pertence ao banco ou a uma central de atendimento conhecida no seu identificador de chamadas. Isso aumenta drasticamente a credibilidade da ligação.

• Criação de urgência e pânico: O golpista cria uma situação de emergência (conta invadida, compra não reconhecida, cartão clonado) para gerar pânico e te impedir de raciocinar. Ele se oferece para “resolver o problema” imediatamente, mas para isso, precisa que você siga suas instruções.

• Solicitação de dados confidenciais: O cerne do golpe. O falso atendente começa a pedir dados pessoais e financeiros: senhas (do cartão, do aplicativo do banco, da conta), números completos de cartões, códigos de segurança (CVV), códigos de token (gerados pelo aplicativo do banco), dados da sua biometria e até mesmo o reconhecimento facial. Bancos nunca pedem esses dados por telefone.

• Instalação de apps de acesso remoto: Em um estágio mais avançado do golpe, o criminoso pode te instruir a instalar um aplicativo no seu celular ou computador (como TeamViewer, AnyDesk ou outros similares). Ele dirá que é para “bloquear a transação”, “atualizar sua segurança” ou “para rastrear o acesso suspeito feito na conta”. Na verdade, esses aplicativos permitem que o golpista controle seu aparelho remotamente, tendo acesso total às suas informações, ao seu aplicativo bancário e realizando transações sem que você perceba.

• Convencimento para transações ou Pix: Para “cancelar” uma compra ou “regularizar” a conta, o falso atendente pode te instruir a fazer um Pix ou uma transferência para uma conta específica, alegando que é para “validar o estorno”, “reverter a transação” ou “proteger o dinheiro”. Esse dinheiro, claro, vai direto para a conta dos golpistas.

A “maldição” da múmia aqui é o roubo de suas informações e, consequentemente, do seu dinheiro, tudo sob o pretexto de te ajudar.

Dicas para desembrulhar a verdade:

• Nunca revele dados confidenciais: Seu Escudo Antimaldição! Esta é a regra de ouro: bancos, como o Banco do Brasil, jamais pedem senhas em chamadas ativas aos clientes (nem a de quatro, nem a de seis dígitos), códigos de segurança (CVV do cartão), números de cartão completo, códigos de token (gerados pelo aplicativo do banco) ou qualquer dado confidencial por telefone, SMS, e-mail ou WhatsApp. Se alguém pedir, É GOLPE!

• Não tenha medo de atender ligações, mas fique atento ao que estão te solicitando: o Banco do Brasil, por exemplo, realiza ações de monitoramento e quando identifica algum tipo de movimentação suspeita, ele gera um alerta de segurança e o cliente pode ser contactado, via telefone, para confirmar aquela situação com o cliente.

Basta você confirmar ou não. Porém, se depois disso te pedirem para realizar, algum outro tipo de procedimento, como instalar ou atualizar equipamentos e aplicativos, entregar cartão para averiguação, ir ao caixa eletrônico ou receber orientações via videochamada, aí sim, pode desligar que é golpe! Não argumente, apenas desligue. Em seguida, use os canais de atendimento oficiais do BB para confirmar a informação. Ligue para o número que está no verso do seu cartão.

• Atualize seu “escudo” digital: Mantenha tudo protegido! Mantenha seus sistemas operacionais (Android, iOS, Windows, macOS) e seus aplicativos bancários e de segurança sempre atualizados. As atualizações frequentemente contêm melhorias de segurança e correções de vulnerabilidades que agem como um escudo contra novas ameaças e táticas dos golpistas.

• Cuidado com a pressão e a urgência: Golpistas usam a tática da urgência para que você tome decisões precipitadas. Se a ligação te pressionar a fazer algo “agora ou nunca”, desconfie. O banco nunca vai te forçar a fazer algo sob pressão.

“Algumas maldições só existem se você as alimentar”, não dê corda a esses golpistas e mantenha suas finanças seguras! Sua vigilância é a chave para desmascarar a múmia da falsa central.

Esperamos que essas dicas te ajudem a se sentir mais seguro e preparado para enfrentar qualquer “monstro” financeiro que apareça no seu caminho. A segurança digital é uma responsabilidade compartilhada, e com um pouco de atenção e as ferramentas certas, você pode se proteger de verdade!

Rafael Cordeiro – Assessor de Comunicação e Estratégia Antifraude do BB, administrador com especialização em Gestão de Projetos e MBA em Design Thinking. Há mais de uma década no mercado financeiro, seus últimos cinco anos foram dedicados a segurança. Fã de carteirinha de jogos de tabuleiro e RPG, busca o “sucesso crítico” quando o assunto é agir contra os golpistas.





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