Golpe do falso boleto

O golpe do falso boleto não é novidade, mas segue entre os que mais fazem vítimas no Brasil. Mesmo com a popularização do Pix, o boleto continua amplamente utilizado, e justamente por isso permanece no radar dos criminosos.

Esse golpe acontece quando o criminoso cria um boleto fraudulento ou adultera um boleto legítimo, alterando principalmente os dados do beneficiário e o código de barras. Na prática, o pagamento é realizado normalmente, mas o valor é direcionado para a conta do golpista, ao invés do destinatário correto.

O golpe pode ocorrer de diversas formas: envio de boletos falsos por e-mail, aplicativos de mensagens, criação de sites que simulam empresas conhecidas, interceptação de boletos verdadeiros ou até infecção do computador da vítima por programas maliciosos que alteram o documento no momento da geração ou impressão.

Um dos principais desafios é a aparência de normalidade. O boleto costuma trazer logotipos, valores e prazos coerentes, o que reduz a princípio a percepção de risco. A distração das pessoas é sempre um fator explorado pelos golpistas e a atenção aos detalhes faz toda a diferença.

Por isso, não realize pagamentos no automático. Conferir os dados do boleto, assim como, no momento da transação, checar com cautela as informações que aparecem no app ou no terminal do banco é fundamental.

O que deve ser observado:

1. Dados do beneficiário

Os boletos sempre apresentam o número do CPF ou CNPJ do beneficiário, que é a pessoa ou a instituição que receberá o pagamento.  Verifique se as informações estão corretas e se você reconhece o beneficiário.

2. Valor

Observe o código de barras do boleto: os últimos números da sequência representam o valor do pagamento. Por exemplo: se o valor a ser pago é de R$ 102,50, os últimos dígitos do código serão 10250. 

No aplicativo, ou terminal do banco, compare esse valor com o que aparece na tela no momento da leitura ou digitação do código. Qualquer diferença pode indicar erro ou até uma tentativa de golpe, sendo mais seguro interromper a operação e confirmar os dados com o emissor do boleto antes de prosseguir.

3. Código do banco beneficiário

Os três primeiros números do código de barras correspondem ao código do banco beneficiário. Um boleto do Banco do Brasil, por exemplo, sempre começará com o número 001. Para saber o código de cada banco, acesse o site da Febraban.

4. Vencimento

Todas as informações do boleto devem estar corretas. Até mesmo uma data de vencimento diferente pode ser sinal de golpe.

Existem ainda outras medidas importantes que ajudam a se manter protegido, como:

  • Prefira a leitura automática do código de barras em vez de digitar os números manualmente. Se ocorrer erro na leitura, fique ainda mais atento, pois boletos falsos podem apresentar esse erro para te forçar a digitar a sequência errada. 
  • Tenha cuidado com boletos que chegam em sua casa. Prefira emitir o boleto direto no site oficial da empresa ou acesse o documento nos aplicativos dessas instituições. 
  • Sempre que possível, em pagamentos recorrentes, como contas de água e luz, opte pelo débito automático.
  • Mantenha seus equipamentos protegidos, com antivírus instalado e atualizado. Existem vírus que podem alterar o código de barras de um boleto, mesmo os baixados em sites seguros.
  • Cuidado com boletos enviados por e-mail, whatsapp, SMS ou redes sociais, pois muitas pessoas mal-intencionadas tentam se passar por empresas confiáveis. Elas fazem você acreditar ser só mais um boleto daquela sua compra, mesmo que esteja acostumado a receber boletos por e-mail, confira se o remetente é o mesmo.
  • Após ler o código de barras, cheque as informações: Confirme todas as informações, se todos os dados que estão no boleto conferem com os que aparecem na tela e principalmente se são da empresa que você contratou o serviço. Eles precisam ser iguaizinhos.

Boletos enviados de forma inesperada, por links ou mensagens, devem sempre ser vistos com desconfiança. Alterações de última hora, tom de urgência e pedidos para “pagar rápido para evitar bloqueios” também são sinais de alerta importantes.

Se ainda assim você não conseguiu identificar um boleto falso e realizou o pagamento, é fundamental comunicar imediatamente o banco. Agir com rapidez faz toda a diferença. Quanto mais rápido o acionamento, maiores são as chances de sucesso na recuperação do valor.

Mais do que reagir ao golpe, a prevenção segue sendo o caminho mais eficaz. E a informação e um olhar atento é a principal defesa.





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