As pessoas estão retirando os rótulos dos produtos e talvez você também deva

Viralizada no TikTok, a microtendência, também conhecida como desapego visual, prega o hábito de retirar as embalagens dos produtos, especialmente as embalagens de produtos de beleza. E isso tem mais a ver com mudanças de hábitos do que com a estética minimalista.

Dominadas pelo consumo, as pessoas estão se percebendo cansadas dentro das próprias casas pela superestimulação visual. Ao olhar para os lados, elas notam que os produtos estão competindo por suas atenções. São inúmeras cores e gráficos, que só faltam gritar! Ao fazerem sua rotina de cuidados, se dão conta que estão pensando no vídeo de uma influenciadora que fez uma publicidade da marca do hidratante, e ela promete que vai mudar a sua vida! Spoiler: não vai! Mas isso não importa, porque o que realmente importa é ter o que todo mundo consuma sem parar.

Nesse ciclo de consumo extremo, diversos produtos vão se empilhando e os armários estão virando uma prateleira de mercado. Assim, nada mais faz sentido e um momento que devia ser de autocuidado está tomado pelo pensamento do que mais se pode comprar ou qual outra necessidade tem que ser suprida. Até que um momento alguém disse chega! E surgiu a microtendência como resposta dessa realidade. Ela é, simplesmente, uma reação da constante exposição de anúncios virtuais e físicos juntamente com o superconsumo estimulado pela internet.

Claro que além da questão estética uniforme, também há o intuito de mudar hábitos de consumo e modos de pensar. Pode parecer sem sentido, mas o processo é mais simples do que se imagina: fazer o consumidor questionar suas escolhas sem ter o argumento do apelo visual. No fim, o foco é a pessoa pensar se faz sentido ter esse produto sem a persuasão visual.

Além do mais, a pessoa toma um tempo para ler o rótulo quando o retira. Isso se torna um momento de olhar o produto e entender o porquê de tê-lo comprado, e, por consequência, retomar a presença no próprio consumo pela consciência do processo. É induzir mais propósito nas compras e reduzir um consumo desenfreado ao priorizar as fórmulas julgando pela eficácia e não mais pela embalagem.

No fim, o importante é desacelerar o consumo sem significado e ter controle do que está em nossas casas e em nossas mentes. E tudo isso é possível: é só encontrar um equilíbrio de forma consciente.

Ana Laura Guimarães é estudante de Comunicação Organizacional e possui interesse nos impactos da comunicação no social.

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