Como empresas estão caindo no golpe da falsa venda: o que fazer para não virar a próxima vítima

A cena é comum no dia a dia de qualquer empresa: pedido chegando por WhatsApp, direct do Instagram, marketplace, e-mail… o cliente parece apressado, quer fechar “agora”, pede urgência na entrega e até tenta passar confiança dizendo que “vai pagar no Pix”. Só que, no golpe da falsa venda, a pressa é estratégica, e o objetivo não é comprar nem vender: é fazer a empresa entregar um produto ou serviço sem receber, ou pagar por algo que nunca existiu.

Esse golpe tem crescido muito no contexto do comércio social (vendas pelas redes) e costuma envolver Pix, comprovantes falsos, perfis clonados e até “intermediadores” inventados.

Como funciona o golpe da falsa venda

O golpe da falsa venda é uma fraude que afeta empresas em diferentes etapas da relação comercial e pode ocorrer, principalmente, quando a organização atua como vendedora ou como compradora. Em ambos os casos, os criminosos exploram falhas de verificação, pressa operacional e a confiança nas informações apresentadas durante a negociação.

Na situação mais recorrente, a empresa é a vendedora. O golpista se apresenta como um cliente legítimo e conduz a negociação de forma aparentemente regular. Após o fechamento, ele informa que o pagamento já foi realizado via Pix e encaminha um comprovante falso, geralmente em formato de imagem ou PDF editado. Em outras abordagens, afirma que a transferência foi feita, mas que o banco ainda está processando a operação, pressionando a empresa para liberar o produto ou serviço rapidamente. Há também casos em que o criminoso provoca confusão proposital, alegando que o Pix foi enviado para outro CNPJ ou conta, solicitando que a empresa “confira internamente”. O risco se concretiza quando a organização antecipa a entrega do produto ou a prestação do serviço sem a confirmação efetiva do crédito na conta, desconsiderando os procedimentos de conciliação financeira.

Já quando a empresa assume o papel de compradora, o golpe ocorre a partir de uma falsa oferta comercial. O criminoso se passa por fornecedor e apresenta propostas com condições muito vantajosas, como preços significativamente abaixo do mercado. Para acelerar a decisão, cria um cenário de urgência, alegando poucas unidades disponíveis ou promoções com prazo extremamente curto. Em seguida, exige pagamento antecipado, total ou parcial, normalmente via Pix. Após o recebimento do valor, o suposto fornecedor deixa de responder, não realiza a entrega do produto, não emite nota fiscal e interrompe qualquer forma de contato, gerando prejuízo financeiro à empresa.

Principais sinais de alerta em vendas PJ

Alguns sinais de alerta merecem atenção especial e podem indicar uma tentativa de golpe. Um dos principais é a pressa exagerada para liberação de mercadorias ou serviços, especialmente quando o cliente insiste em encurtar etapas do processo comercial. Também é motivo de desconfiança quando há resistência ou recusa em cumprir procedimentos básicos, como formalização de contrato, emissão de pedido, apresentação de nota fiscal ou realização de conferência cadastral.

Outro ponto sensível ocorre quando o cliente solicita que a entrega seja feita em um endereço diferente do cadastro, sem apresentar uma justificativa clara ou documentação que sustente a alteração. A insistência em enviar apenas um comprovante de pagamento, sem aceitar aguardar a confirmação efetiva do crédito na conta, é um sinal recorrente em golpes desse tipo. Além disso, abordagens feitas por perfis recém-criados, com pouca atividade, poucas informações ou fotos genéricas, também devem ser tratadas com cautela, pois são frequentemente utilizadas por fraudadores para dificultar a identificação.

Reconhecer esses sinais e tratá-los como alertas, e não como exceções aceitáveis, é fundamental para reduzir riscos e evitar prejuízos em operações comerciais.

Como se proteger

Para empresas, a regra de ouro do Pix é simples e inegociável: pagamento só existe quando o dinheiro efetivamente entra na conta. Comprovantes enviados por clientes ou fornecedores não são garantia, pois podem ser facilmente manipulados. O único critério confiável é a confirmação do crédito identificado e conciliado no extrato da empresa.

Por isso, é fundamental adotar uma política interna clara e padronizada, estabelecendo que mercadorias, serviços ou acessos só podem ser liberados após a confirmação do pagamento. Essa regra deve valer para todas as operações, sem exceções, mesmo diante de pressão, urgência ou pedidos insistentes. Padronizar o processo evita decisões baseadas na pressa ou na confiança excessiva e reduz significativamente o risco de fraude.

A conciliação financeira imediata também é uma prática essencial, especialmente em períodos de maior volume de vendas, como promoções, datas sazonais ou fechamento de mês. Nessas situações, é recomendável que haja alguém do financeiro dedicado à validação dos pagamentos, conferindo dados como horário da transação, valor, favorecido e identificador do Pix, sempre em ambiente bancário oficial.

Outro ponto importante é a validação do cliente e do pedido, mesmo em negociações de menor valor. A confirmação de CNPJ, razão social, endereço e telefone ajuda a reduzir riscos, especialmente em operações com novos clientes. Para esses casos, o pagamento antecipado com conferência reforçada deve ser tratado como procedimento padrão, e não como exceção.

É preciso atenção redobrada também a perfis falsos e páginas clonadas, muito comuns em contatos feitos por WhatsApp e redes sociais. Golpistas costumam criar perfis com nomes, logotipos e identidades visuais semelhantes aos de empresas reais. Sempre que houver mudança repentina de número, contato fora do padrão ou abordagem suspeita, a orientação é confirmar a negociação por canais oficiais e verificar o histórico do perfil antes de seguir adiante.

Se cair no golpe: o que fazer imediatamente

Caso a empresa perceba que pode ter caído em um golpe, a reação precisa ser imediata. Se ainda houver tempo, o envio ou a entrega deve ser interrompido. É importante salvar todas as evidências, como conversas, prints, dados do perfil, links e comprovantes recebidos, além de registrar um boletim de ocorrência. E se a empresa tiver realizado algum pagamento por um produto/serviço que tenha percebido se tratar de um golpe, o registro do ocorrido junto ao banco deve ser feito o quanto antes, pois o tempo é um fator crítico para tentativa de recuperação dos valores. Após o incidente, a revisão dos processos internos é indispensável para evitar novas ocorrências.

Dicas de segurança “de ouro” para PJ

Esse tipo de golpe reforça que a proteção da empresa não depende apenas de tecnologia, mas principalmente de processos bem definidos, controles financeiros, validação rigorosa de pagamentos e treinamento das equipes. Vendas, expedição e financeiro precisam atuar de forma integrada, seguindo fluxos formais e respostas padronizadas, especialmente diante de situações de pressão ou urgência. Confirmar informações, exigir formalização e utilizar apenas canais oficiais são atitudes simples que fazem toda a diferença.

Adotar essas práticas hoje pode evitar prejuízos significativos no futuro. Segurança é resultado de atenção, prevenção e disciplina operacional.

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Mulher segurando o telefone no ouvido com os dizeres "Quem desconfia evita golpes. Na dúvida, procure o BB. 4004-0001"

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